segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ainda encontro a Fórmula do Amor...



Caminhando calada, na calada da noite, perambulando numa madrugada insone, vejo os muitos minutos em que a minha solidão me beija, com lábios gelados e amargos como fel, a me lembrar o vazio da minha cama, o oco do meu coração, o desejo insatisfeito do meu corpo. E ressunto nos vários assuntos posíveis de se pensar, e viajo nas lembranças de todas as lágrimas que ainda vou derramar. Me olho no espelho, tendo só a luz da rua a me iluminar, e só vejo um olhar triste que me olha de volta, cravado num rosto inexpressivo de pele pálida.




Olheiras em volta desses olhos castanhos sombrios, me dizem o quanto as noites lhe fazem pensar e pensar. Pensando no meio certo, na forma correta parase amar. Qual é a ciência que rege esse sentimento, se é que ele existe? Qual é a matemática que se usa e qual a lógica? Qual química, a física e a biologia que classifica essa fisiologia do assunto?

Desconfio que haja mesmo uma fórmula, um segredo, uma equação necessária para se encontrar o amor.. e essa desconfiança rasa se aprofunda nos muitos fracassos que vivi, e que sofri ao rever os revezes das relações que não deram certo. Me pergunto repetidas vezes, onde foi que eu errei...

Todos os laços desfeitos, e abraços partidos ao longo dos experimentos da vida que levo, vivida de sonho e poeira. Onde errei? No sorriso amplo, na pose certa, no andar seguro? Onde erro??? É na segurança, na auto-confiança, ou na inteligencia que não quero disfarçar?
Me convenci há muito tempo que eu tinha tudo para ter comigo o amor, mas só tive os homens, e mesmo assim, foram efemeros. alguns levaram parte de mim, outros deixaram pedaços de si, mas todos nós melhoramos a cada contato, com os aprendizados adquiridos com a experiência do encontro. Mas, eu naõ entendo, se cada item desejado eu possuo? Cada coisinha que é preciso para ter uma relação de sucesso, oque faço então de errado na sequencia dos fatos para ficar só?
Sigo nessa outra madrugada, sem conseguir dormir, pensando nos muitos problemas que ainda hão de vir, nos que já foram e nos que estão aqui, e penso e repenso o óbvio, que qualquer carga é pequena se dividida.
Ainda encontro a fórmula do amor, e acho até que não achei ainda, por que sou péssima em exatas, e acho extremamente dificil racionalizar. Racionalizar o sentimento, equacionalizar as sensações, colocar em proporções exatas... Não, isso foge da minha alçada.
Olho para minha xícara vazia, onde antes havia leite quente que eu bebia, para ajudar o sono vir, e para matar a fome mesmo porque é tudo que eu tenho em casa, e imagino o universo como sendo aquele tempo/espaço de 300ml, a limitação do ilimitado, a mensuração do imensurável, e , inclino meus pensamentos na direção do sol que já se anuncia, repassando cada vida que já esteve envolvida na vida vivida desta mulher.
A esperança vem no brilho da manhã, que rasga o negro manto da noite em busca luz.





O sol nasce muito calmo. No minimo, existe outra pessoa fazendo o mesmo que eu, namorando o violeta do céu, conjecturando sobre as desventuras, e esperando ter a epifânia que nos dará o Nobel da ciência:
Será que um dia eu ainda encontro a Fórmula do Amor?

Nenhum comentário:

Postar um comentário